quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

os anos noventa eram uma coisa

um mês de outono
de noventa e dois, maio
ou junho talvez
um ano de encerramentos,
ele comprou um LP do Abba
que eu amava
eu pensando que era surpresa
até descobrir que daria para a mãe
(acho que era maio)
eu ainda naquele esquema de esperar
a fase ruim passar
o ensino médio terminando
ele conversando muito
com as colegas de escola
até eu descobrir que
a magricela de cabelo pintado
que morava atrás da igreja
era a nova namorada
passando de ônibus eu a via
em sua varanda
com as amigas como a diana
e suas companheiras, de vermeer
doía tanto que eu torcia
pela chegada das novas linhas do metrô
eu não sabia do desperdício de amor
aqueles bem que podiam
ter sido anos melhores
alguém tivesse me contado
que um dia eu iria esquecer
e que de tudo isso ia ficar apenas
alguns sonhos recorrentes
uma cicatriz na testa e um filho

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