sábado, 28 de maio de 2016

Conversando agora com Carolina Reis. O combate ao machismo se dá em duas frentes.
1- Microcosmo cotidiano:
a) Argumentar e negociar exaustivamente comportamentos com pai, filho, namorado, companheiro, colegas de trabalho, vizinho,chefe até ver ceder as barreiras do patriarcado. Defendo a insistência nesse campo por crer que é nele que o diálogo é mais efetivo. Se esses homens não estão prontos para negociar seus núcleos de poder infelizmente devem ser afastados.
b) Fortalecer as irmãs que por falta de conhecimento, subjulgo econômico ou emocional estão de alguma forma sofrendo violência por parte de parente, conhecido, colega de trabalho, chefe, companheiro ou namorado.
2- Macrocosmo:
a) Fortalecer pessoas envolvidas em casos de comoção nacional para expansão da luta contra a violência contra a mulher (ex: Maria da Penha). Esse ícones tornam mais fácil o trânsito de símbolos, a difusão de idéias. 
b) Criar eventos inúmeros, sejam eles culturais, artísticos ou políticos, nos quais seja possível, denunciar a violência contra a mulher e resignificar as lógicas de poder entre os gêneros. Eventos em que sejam discutidos os novos códigos de gênero e de sexualidade e como construir um diálogo rico com a diversidade ( ex: DiversaS - Feminismo, Arte e Resistência)
c) Criar estratégias de denúncia nacional e internacional contras as figuras públicas de anunciem, defendam ou pratiquem atos de violência contra as mulheres.
Ou seja migas, trata-se de um trabalho árduo, mas que talvez você já esteja fazendo quando alerta seu irmão quando ele pergunta "O que essa mina aprontou?" " Irmão, a culpa não é da vítima!"

a despeito do peso morto

viste como riem os poetas?
recusam-se a viver 
a tragédia de nossos dias
brincam de estilingue
com as pedras das ruínas

Sísifo se diverte 
vendo a pedra assustar as sombras
Sísifo não sabe que é sombra
continue rindo poeta
apenas a descida é confiável

sexta-feira, 27 de maio de 2016

pedras mortas

uma moldura de pedra
para três borboletas de pedra
espero que meu vizinho
nunca note
o quanto isso é triste


o ferreiro ama sua bigorna 
para ele
ela é alada

NSL
26/05/16

domingo, 22 de maio de 2016

decorar

no início é o escuro
advérbios sem mapas
substantivos puros
curva
morro
gruta
mata
semente de romã

com o tempo
alumbramentos
na ponta dos dedos
lábios lábios
mapeamentos de cor
nudez sem pudor
portas abertas
palavras certas
a pele na memória



sexta-feira, 20 de maio de 2016

moços guapos para dias tristes

trata com alpiste passarinhos soltos
tão bonito pendurado no alambrado
da varanda e canta
amo uma puta tão bacana
que se chama ana
que se chama ana

quinta-feira, 19 de maio de 2016

acabou a festa

ouça esta canção que assovio
que é para olhar pro outro lado
e não ver o paredão dos fuzilados
nem deu tempo pra gente
comer o último bocado
da festa e já era
hora de entregar 
nossos trocados
neste portão 
pro fim de tudo
pro fim do túnel
pro fim do mundo


quarta-feira, 18 de maio de 2016

se eu dissesse

se eu dissesse vermelho
e se tingisse de ira
essa bandeira
tão ordeira

se eu dissesse já
e me consumisse
a corda em meu pescoço
que comprime sem matar

se eu dissesse esqueçam
e meus amigos
festejassem sem dor
minha partida

se seu dissesse fim
e despedaçasse o sol
e cerrasse os olhos
seria simples

mas não

eu digo naufrágio
e a palavra  lágrimas
surge em letras garrafais
sob meus olhos

domingo, 15 de maio de 2016

excesso de bagagem

aquele 3x4
em que exibo o cabelinho molhado
e o vestido riscado
guardou a memória 
de um dia em que minha mãe
andou de mãos dadas comigo
conversando como se eu
fosse digna de ser ouvida

eu mirava as pessoas 
para ver se todos notavam

numa segunda edição corrigida do mundo
eu não estaria a podar medos
e colher silêncios
como hoje

a vida seria todas as palavras que trocamos
eu e minha mãe
de casa até a loja de fotografias

sexta-feira, 6 de maio de 2016

senhora coisa nenhuma

afora algumas horas de distração
sou a feliz senhora coisa nenhuma

até quando pensa que pode
preencher sua alma vazia
com meus ensaios sobre a morte
esboços de poesia?

se não vai me amar nesse instante
devolva meu casaco
meus bolsos
minhas pedras
e meu rio

NSL
06/05/16