sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

risco

risco
[norma de souza lopes]

és uma mulher de sorte, pode amar qualquer coisa
um gato, um modo de cozinhar o arroz, de ocupar a cama, uma voz, um homem
há que se viver o risco de amar e por de lado  a solidão. O amor não permite solidão
a exceção do amor a si mesmo. Mas isso já sabemos que não se aprende sem um espelho amável
amar tem um ponto de saída e de chegada, outro risco
pode ver-se depois de uma caminhada, corrida, escalada diante de um premio incompleto
um gato egoísta, uma cozinha aprisionante, uma cama dura, uma voz falsa ou um homem fosco
nada de montanhas e cachoeira, nada de bilhetes na gaveta de roupa íntima ou carícia nos pés
você poderá então passar anos, décadas à espera de paixões arrebatadoras
que te façam flutuar num voo com rota por por semanas, até voltar ao seu reino incompleto
ou rasgar definitivamente o mapa a fim de armar pouso em outra pista, ela também incompleta






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