terça-feira, 2 de maio de 2017

eu não deveria escrever mais poemas

as bibliotecas estão cheias de livros de poemas
as livrarias, os sebos, estão todos cheios
estão repletas as estantes das casas

mas há estes esquecimentos diários
o fogo aceso, a torneira ligada, os óculos
estar diante de você e não me lembrar meu nome
não me lembrar tampouco seu nome
nunca mais me lembrar do cheiro do café
que sua boca exala pela manhã
do olhar de meus filhos enquanto eu os amamentava
das amigas que que morreram sem autorização
de como me senti bela naquele dia dos namorados
com a camisa rosa e a calça preta do meu irmão

e há um poema, essa cunha na porta da memória



  

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