domingo, 22 de novembro de 2015

amanhã

amanhã será segunda-feira
correndo tudo bem
baixarei sobre mim a tampa
dei-me ao trabalho de fazer as contas
do advento da agricultura até aqui
é impossível impedir
a vitória dos que tem mais
não só por isso
sempre fui uma mulher sem sorte
nada me deu a vida 
que eu não lhe  tenha arrancado
à unha- até que me ensinaram 
deve ser aparada no osso
perdi a lama na minha infância 
dos banhos de enxurrada nas grotas da rua
dos jogos de finca na terra molhada
a memória ficou manchada
o gozo pobre dos bares
balcões onde homens 
escarram discretos
e mulheres desfilam 
o cheiro de desodorante avon
não posso, com a turba, o som
o sol-mesmo o de setembro- me fere
e o conforto do quarto escuro
pesadelos apagaram sonhos bons

e depois de amanhã será terça-feira

NSL
22/11/15

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