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terça-feira, 15 de novembro de 2016

a despeito dos clamores pelo meteoro

há anos-luz
tudo virou pó
e foi engolido
por um buraco negro
sem pathos nem lirismo

mas o  poeta
tal qual a Terra
os planetas
o Sol
as galáxias
e o Universo
segue sua órbita



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

outro dia de mania

repito "vou morrer"
como quem sabe finita a vida
mas ainda não acredita

morrer sem ter tido um gato
estar no quinto andar
e não poder saltar

lá fora
um alfabeto de mentiras
convoca minha atenção
aqui dentro
um incêndio
de palavras eufóricas


assopro as cinzas quentes do amor
e o que tenho é um vapor
frio no lugar da carne
congelo estúpida
instantes de olhar


estou aqui agora
depois serão apenas os livros
os vestidos
e os sapatos
e a falta de coragem para doar


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

ícone desidratado

a noite não dá trégua aos insones
(subir as escadas deveria
ser o melhor do amor
não fosse a pressa)

permanecer ancora viva
a chorar amores que não terei
ignorar as tentações sem volta





pés cansados de equilibrar os saltos
sobre montanhas de perguntas
01100001 01101101 01101111 01110010 
é o código binário para a palavra amor

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Nesses dias

Nesses dias
Nada me afeta
a ponto de virar poesia
apenas essa fadiga vazia
e a saudade dos dias
em que as dores e os amores
em mim gerava cria
de palavras em demasia

Norma de Souza Lopes