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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

outro dia de mania

repito "vou morrer"
como quem sabe finita a vida
mas ainda não acredita

morrer sem ter tido um gato
estar no quinto andar
e não poder saltar

lá fora
um alfabeto de mentiras
convoca minha atenção
aqui dentro
um incêndio
de palavras eufóricas


assopro as cinzas quentes do amor
e o que tenho é um vapor
frio no lugar da carne
congelo estúpida
instantes de olhar


estou aqui agora
depois serão apenas os livros
os vestidos
e os sapatos
e a falta de coragem para doar


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

ícone desidratado

a noite não dá trégua aos insones
(subir as escadas deveria
ser o melhor do amor
não fosse a pressa)

permanecer ancora viva
a chorar amores que não terei
ignorar as tentações sem volta





pés cansados de equilibrar os saltos
sobre montanhas de perguntas
01100001 01101101 01101111 01110010 
é o código binário para a palavra amor

domingo, 6 de novembro de 2011

Arrancando a flor-da-terra que grudou em minha alma

Tenho vivido a exclusão e as rupturas como tropeções que me arrancam as unhas dos dedos dos pés. Algo bem dolorido.
Tudo isso porque sou assim: busco continuidades e vínculos em minhas relações. Não como a ligação de um abelha no enxame, que não compartilha com a operária ao seu lado, unida apenas para se proteger das intempéries e dos predadores. 
Ando a procura do vínculo morno que aquece a alma. Aquele que vivo quando um amigo, que  mesmo tão fora e tão diferente de mim, vislumbra por um segundo a minha essência - e aceita-a. 
Busco também o encontro de amor que, num lapso de tempo, faz com que eu sinta que ele e eu somos um, e ainda assim posso ser eu mesma.
Estou aprendendo que rupturas podem significar inclusão. E estar fora do bando não é deixar de ser amada. Significa que agora estou ligada em mim mesma, lidando apenas com quem me ama e me aceita de verdade. Significa que sou tão singular que o molde de um grupo não me aprisiona.
Estou resignificando a dor de me sentir excluída. Não estou perdendo partes de mim, estou arrancando as partes do outro que grudou em mim como uma flor-da-terra que, para lançar sua bela flor sobre a terra, precisava sugar a seiva vital de minhas entranhas, aquela que faz eu ser quem sou.

Norma de Souza Lopes