terça-feira, 9 de outubro de 2012


Pintei a fachada de alaranjado para morar numa casa amanhecendo. Alguém  pixou sua assinatura de azul sobre ela.

Punhal na carne, a violência gratuita me fez escrever

Risco obsceno


O rasto

marcado de piche
no tapume
deprime

Violento
o traço no muro
fere a fachada

De dentro
tento
desprezar a ofensa
e ignorar o risco
obceno

Demorei semanas para diminuir a dor. Conversando com uns camaradinhas resolvi ver de perto o discurso do pixador. Fiquei misturada. Na vontade deles achei  raiva pura, raiva pela raiva. Elogio a transgressão, que de certa maneira eu também acolho. E agora, pensar o que?
Hoje achei esse Dingos me mostrando outro caminho. 

Meninos que pixam meu muro, no fim o que todos queremos é cura. E a arte também cura. E tem mais cor.

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