quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Caem as bandeiras

O que fazer quando as bandeiras tombam diante do poder? Aqueles que reivindicavam para si o papel de esquerda entrarão para a história como direita galopante. Sacrificam crianças em prol da domesticação de corpos e espaços, ou seja, a ordem acima de tudo.
Me cansei de ser o galo de briga, mas me embrulha o estômago o silêncio conivente. Penso no que pode essa palavra lâmina em minhas mãos contra a retaliação silenciosa e cotidiana. Ainda não encontrei resposta.
Há que se pensar formas. Por hora mantenho minha firme convicção de não dialogar com quem quer me dominar. Não me esquecendo que a sedução é a pior forma de dominação.
Que pese sobre nós a "carga" horária. É fácil esquecer que nem sempre a sala de aula é o melhor lugar para o conhecimento.
Norma de Souza Lopes

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Resenha "Um sujeito sem qualidades de Jean-Clade R. Alpen

Ontem a pedida dos alunos do primeiro ciclo foi o livro "Um sujeito sem qualidades" de Jean- Claude R. Alpen. O livro atraiu os pequenos por causa do pêlo (uma espécie de camurça na capa). Quando perguntei sobre a capa sugeria a primeira resposta foi engraçada: " O nome do monstro ' é sujeito' professora?"
Mas a personagem não tem nada de monstro. Trata-se da história da trajetória de Arnaldo, um artista em busca do que realmente quer. Mas contada de maneira que criança entenda.
Arnaldo mora sozinho numa cabana no alto de uma montanha. Ele acredita ter alma de artista, tamanha é a sua sensibilidade. Tudo ia bem e ele vivia feliz apreciando as belezas da natureza ao seu redor. 
Me chamou atenção o fato do livro parece o ócio criativo (descrito por Domenico De Masi).
Um dia, porém, percebeu que faltava algo: alguém para compartilhar sua sensibilidade artística. Decidido a encontrar uma companhia, Arnaldo resolve procurar seus vizinhos, três espécies diferentes de aves: o sanhaço, os corvos e pardais. O que ele acaba encontrando, no entanto, é apenas incompreensão e decepção. Seu vizinho fazem com ele uma espécie de bulling chamando-o de gordo e até d epreguiçoso.
O livro propõe para as crianças, a partir do texto e das ilustrações perfeitas de Jean-Claude, uma reflexão sobre o artista,  a solidão e vida em sociedade.
As crianças gostaram da conclusão. E eu mais ainda.

Norma de Souza Lopes

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Começou ontem no SESC Palladium a Oficina CORPO, SOM, PALAVRA, IMAGEM com Ricardo Aleixo. Estive lá com Carol Souza, sentanda confortávelmente diante de Ricardo Aleixo por três maravilhosas horas, tempo no qual nosso interlocutor discorreu acerca do corpo, de seu papel de midia primária para ser e estar.  Ricardo ainda discorreu acerca de multimidia e intermídia, imagem. imaginário e imaginação, percepção, observação, observado e o ato de observar. tudo isso com uma profundidade surpreendente para ao pouco tempo que tínhamos.
Ricardo ainda apresentou um rico exemplo de poesia e imagem (haicai) .
Os parceiros de oficina também foram muito importantes para o decurso, colocando questões que tornaram a apresentação fluida e inteligente.
Fomos apresentados um um novo instrumento (acredito que se chama "Trovão") e suas múltipas sonoridades.
Estou na espectativa para hoje.


Norma de Souza Lopes

Resenha Chico, o caminhador


Na aula de leitura de hoje a escolha do livro foi feita por mim, tendo em vista uma proposta de ilustração de poesia que executarei na semana que vem.
Escolhi "Chico, o caminhador" de Ana Raquel e Fernado Brant. Ao contrário dos outros que lemos esse ano, o livro em questão começa com as ilustrações e só depois Brant " pôs a letra".
Ana Raquel fotografou comunidades ribeirinha do velho Chico e montou belissimas ilustrações. Com ela seduziu Fernado Brant para cirar o texto. O Resultado foi um misto de imagem poesa/música que toca o coração.

o rio nasce de dentro do chão
a nossa terra é que é sua mãe
a água pouca e  limpa que brotou
com outras águas da serra se juntou
vai seguindo o ribeirão



Os alunos apontaram imagens recorrentes de peixes, bicicletas, botões de âncoras, barcos, rendas fuxicos e peixes que dão o tom do interesse das artista pela cultura do povo que vive e se alimenta do rio São Francisco.
Grata leitura

Norma de souza Lopes



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Silenciar. Não me indignar a ponto de esvaziar a força da lâmina em minhas mãos sob a garganta daqueles que escolhem deixar criancinhas famintas.
 
Norma de Souza Lopes

terça-feira, 31 de julho de 2012

Tudo que eu queria uma bolsa amarela para guardar essas coisas que estão vazando de mim.

borda

bebo 
da borda
de tudo
margem
mirando
o fundo
do furo

Norma de Souza Lopes

Sem tintas

aos que são levemente belos
é fácil não serem supérfluos
ou superficiais
Conheci primeiro os haicais de Leminski. Pensava que era apenas poema de três versos.
E escrevi

Liame


Verdade sem enganos
Nas tênues  veias do vínculo
Corre o sangue que nos faz humanos.
28/08/10

Depois compreendi a métrica, a falta de título e a natureza. Fiquei me perguntando por que os brasileiros tropicalizaram o haicai. 
Acho que foi pouca estação para muita poesia.

Norma de Souza Lopes

segunda-feira, 30 de julho de 2012

receita para não escutar os pensamentos tristes de uma tarde de fim de férias


um vizinho generoso
um carro esporte último tipo
69 amplificadores
188 auto-falantes
100 decibéis
ausencia de equalizador de som
um funk pornográfico com dois versos